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EMN

 

 

ENUNCIAÇÃO

 

A enunciação corresponde ao momento de actualização da língua numa situação de discurso, dependente da actividade conjunta do locutor e do interlocutor (ou ouvinte).

Evento histórico correspondente à actividade conjunta de activação discursiva levada a cabo por aquele que fala, no momento em que fala, e por aquele que ouve. A ela preside um conjunto de factores e actos que provocam a produção de um enunciado.

É constitutivo do sentido do enunciado o facto de ele ter sido, num momento preciso, objecto de enunciação.

 

ENUNCIADO

O enunciado apresenta marcas de uma enunciação individual, num momento e espaço precisos, e é o resultado da produção individual.

O enunciado é usado por um determinado falante, num momento concreto, e pode ser constituído por uma sequência de frases, uma frase ou apenas uma palavra.

Hoje o dia amanheceu radioso.

Bom dia.

Olá!

Obrigado.

Uf!

" Está frio."

Este enunciado dá uma imagem da sua enunciação que é : asserção de uma experienciação de um nível de temperatura climática. Compreender este enunciado exige saber que aqui é feita uma asserção . Compreender este enunciado não é " experimentar o frio", mas reconhecer uma asserção. Dizer que um enunciado é uma asserção , ordem, pedido, promessa, ameaça, etc, é dar conta da presença da enunciação no enunciado.

 

COORDENADAS ENUNCIATIVAS

A partir do momento em que se dá a enunciação, instaura-se um campo de referenciação estabelecido em torno do locutor e interlocutor. A própria pessoa do sujeito que fala é o marco de referenciação linguística, pois que é a partir dele que se torna possível a identificação/localização de objectos e entidades num interior da esfera espacial e temporal da enunciação. Diz-se então que o sujeito falante está no centro de um conjunto de elementos que determinam a vinculação da enunciação aos participantes na comunicação, ao tempo da enunciação e ao espaço da enunciação. Esses elementos, denotados pelos deícticos, são as coordenadas enunciativas.

Na enunciação existem referências à volta do locutor e do interlocutor.

A partir do sujeito da enunciação, que está no centro da referenciação linguística, efectua-se a identificação/localização de objectos e entidades no espaço e no tempo.

As coordenadas enunciativas são os elementos que determinam a situação dos participantes na comunicação, relativamente ao tempo e ao espaço da enunciação. Chamam-se deícticos a estes elementos.

Deixis

Fenómeno de referenciação dependente e constitutiva da enunciação. Os deícticos apontam verbalmente para realidades específicas do acto enunciativo. Ao contrário dos signos de natureza plenamente simbólica, com um conteúdo semântico-referencial estável e permanente, os deícticos, de cada vez que são activados no discurso, referenciam de novo e variavelmente, em função da situação de enunciação, única e irrepetível.

Estes signos assinalam o sujeito que enuncia, o sujeito a quem se dirige a enunciação, o tempo e o espaço da enunciação; apontam para objectos, entidades, processos constitutivos do contexto situacional; determinam ainda a referenciação de todos os signos actualizados no discurso.

A rede de referenciação instituída pelos deícticos tem como ponto primordial de cálculo o próprio sujeito que fala, no momento em que fala. "Eu" é aquele que diz "Eu" no momento em que o está a dizer. É esta a coordenada que gera todas as outras. "Tu" aquele a quem "eu" me dirijo; "agora", no momento em que "eu" falo"; "aqui", no espaço em que falo; "isto" objecto próximo de mim, que falo; "estudei", "estudo", estudarei" num intervalo de tempo anterior/ simultâneo/ posterior a este momento em que estou a falar; "assim", da maneira que "eu" e "tu" estamos a ver/ouvir. Têm então referenciação deíctica: os pronomes pessoais, pronomes e determinantes possessivos, demonstrativos, artigos, advérbios de lugar e tempo, os tempos verbais e ainda alguns lexemas ("ir"/"vir"; "chegar"/"partir", etc).

"- Credo! Donde vem esta água toda?

- Vem de de cima, não vês? Segura mas é aqui nisto e fica aqui à minha espera.

- Então despacha-te que já há um bocado que me está a dar a água pelos calcanhares."

 

 

Os deícticos são palavras que apontam para realidades específicas do acto enunciativo. No discurso, cada vez que são utilizados, permitem marcar as circunstâncias apresentadas pelo falante, numa situação de enunciação, num contexto único e irrepetível.

Assinalam o locutor do enunciado (EU), o interlocutor (TU) a quem se dirige a enunciação, o tempo (AGORA) e o espaço (AQUI) da enunciação; referem entidades, objectos, processos constitutivos do contexto situacional.

EU refere aquele que diz -o lOCUTOR -é o ponto de partida para as outras coordenadas.

TU/VOCÊ/VOCÊS refere aquele(s) a quem EU digo -o INTERLOCUTOR.

AGORA indica o momento em que EU falo.

AQUI identifica o espaço em que EU falo.

ISTO remete para um objecto próximo do locutor (EU).

ASSIM transmite o modo como EU e TU encaramos a acção.

ELE refere o não participante da comunicação.

 

São referentes deícticos:

1)      os pronomes pessoais,

2)      os pronomes e determinantes possessivos,

3)      os pronomes e determinantes demonstrativos,

4)      os artigos,

5)      os advérbios de lugar e de tempo,

6)      os tempos verbais (na flexão verbal podem estar implícitos os pronomes pessoais),

7)      alguns lexemas (ir / vir; chegar / partir, etc.),

8)      nomes próprios,

9)      vocativos.

-Donde veio toda esta gente?

-Veio de de baixo! Chegou mesmo agora aqui um comboio.

-É sempre assim aqui, a minha casa fica junto à saída da estação de Metro.

 

DEÍCTICOS (mais frequentes)

Pronomes Pessoais

eu, me, mim tu, te, ti, você, ele, el.a, se, si, lhe,

nós, nos vós, vos, vocês eles, elas, lhes

Pronomes e determinantes possessivos

meu, minha, meus, minhas, teu, tua, teus, tuas, seu, sua, seus, suas, nosso, nossa, nossos, nossas vosso, vossa, vossos, vossas

Pronomes e determinantes demonstrativos

este, esta, estes, estas, esse, essa, esses, essas, aquele, aquela, aqueles, aquelas, isto, isso, aquilo

Artigos

o, a, os, as

um, uma, uns, umas

Advérbios

Referências espaciais

aqui

daqui

ali

dali

além

dalém

Referências temporais

Ontem

Então

Antes

Na véspera

hoje

agora

imediatamente

neste momento

amanhã

logo

depois

nesse momento

 

A deixis indica os referentes, no interior da situação ou do contexto, em função de cinco categorias que se relacionam com a pessoa, o lugar, o tempo, o discurso e a dinâmica social, que integram a esfera de acção do sujeito.

As expressões deícticas pessoais referenciam os participantes na interacção:

Eu não te vi.

Amas-me ?

Não te falei.

Ele é um bom colega.

As expressões deícticas espaciais apontam para a localização dos intervenientes no interior do contexto:

O museu fica ali.

Designa a especificação da localização espacial de objectos ou indivíduos, a partir de um ponto de referência - o "aqui" correspondente ao espaço ocupado pelo locutor. Integram a deixis espacial advérbios e locuções adverbiais de lugar (por ex. aqui, , ali, , ) e os demonstrativos. No enunciado «Passa-me esse livro, o demonstrativo esse aponta para um livro presente no contexto situacional e localiza-o num espaço próximo do interlocutor.

 

As expressões deícticas temporais identificam os intervalos de tempo, relativamente à enunciação:

Amanhã voltamos a encontrar-nos.

O tempo linguístico, expresso através dos tempos verbais e das locuções adverbiais temporais, está organicamente ligado ao exercício da fala e ordena-se em função desse ponto de referência fundamental que é o momento da enunciação (ex.1). Secundariamente, a ordenação faz-se a partir de um ponto de referência discursivamente construído (ex.2).

(1) O João foi operado ontem.

(2) Quando o táxi chegou, o João tinha desaparecido.

Assim, a interpretação referencial dos tempos verbais e das locuções adverbiais temporais é sempre dependente, quer do momento da enunciação, quer de outro termo-origem, presente no contexto verbal.

Em (1), o advérbio temporal ontem é deíctico, já que a construção do seu valor referencial depende do conhecimento de uma coordenada enunciativa: se não se souber quando foi produzido o enunciado, será impossível interpretar ontem. A forma verbal foi, no mesmo enunciado, marca um valor de anterioridade relativamente ao momento da enunciação.

Em (2), a forma verbal chegou marca um valor de anterioridade relativamente ao momento da enunciação e simultaneamente fixa o ponto de referência a partir do qual se estabelece uma nova relação de anterioridade, expressa através do pretérito mais-que-perfeito tinha desaparecido.

 

As expressões deícticas discursivas - ver anáfora - referem estruturas linguísticas ou segmentos do discurso que precedem ou seguem o dêictico no contexto em que se integra:

A professora deu muita matéria. Não gosto disso.

As expressões deícticas sociais relacionam-se com os papéis assumidos pelos participantes nas relações sociais (entre 1ocutor e interlocutor ou entre locutor e uma pessoa ausente):

Senhor Presidente, pretendo formular um pedido...

O Presidente do Conselho Executivo repreendeu-o.

Vossa Excelência sabe qual a solução mais adequada.