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COMUNICAÇÃO VERBAL

 

Na actividade linguística dos falantes está prevista a produção de sentido, o que envolve um processo conjunto por parte de quem fala -o locutor -e a compreensão por parte de quem ouve -o ouvinte ou interlocutor. A utilização da linguagem implica sempre a produção de significado da parte daquele que fala e a compreensão da parte de quem ouve.

Os participantes na comunicação estabelecem entre si uma correlação na interpretação do discurso produzido em situação de interacção.

0 locutor é o sujeito responsável pela enunciação.

Na interacção verbal é referenciado pelo dêictico eu, que designa quem diz, no acto da comunicação.

0 interlocutor é  aquele a quem é dirigida a enunciação e que participa nela.

É o participante da comunicação que interpreta o discurso do locutor e detecta as suas intenções comunicativas.

0 ouvinte é aquele que recebe e compreende os enunciados produzidos pelo locutor, mas não é participante directo na interacção verbal.

A situação básica para o uso da linguagem é a comunicação em presença, em que se desenvolve uma interacção pessoal, que estabelece e controla as relações sociais.

Os intervenientes na comunicação necessitam de possuir uma competência comunicativa (um conhecimento da própria língua, da situação em que se encontra e da atitude a tomar adequada ao meio de comunicação utilizado – rádio, tv, imprensa, telefone, etc)) e uma competência linguística (um conjunto de saberes linguísticos, capacidade de usar conscientemente as estruturas da língua), além de outros factores relacionados com o contexto situacional ou institucional, de modo a adequar o seu discurso às normas sociais.

A utilização da linguagem serve, fundamentalmente, para o relacionamento social, uma vez que é um instrumento activo para comunicar com os outros -avisar, informar, combinar, aprender, ensinar, perguntar, convidar, cumprimentar, divertir, conversar, criticar, planificar, debater, persuadir, prometer, ameaçar ...

 

UNIVERSO DE REFERÊNCIA

O significado de uma frase está dependente do seu conteúdo linguístico e da interpretação que o interlocutor fizer desse enunciado.

Em cada acto de enunciação, os intervenientes na interacção verbal referem objectos da realidade extra-linguística que se inserem num determinado contexto situacional.

O universo de referência consiste no contexto geral em que se encontra integrado o conjunto de entidades, processos, qualidades referenciadas no acto enunciativo.

Aprecio muito as estrelas daquele filme.

À noite, consigo identificar várias estrelas.

O hotel onde passei férias tinha cinco estrelas.

A palavra estrela refere uma entidade diferente em cada um dos contextos apresentados. Na primeira frase, estrela relaciona-se com cinema, actriz, representação, personagem, papel, protagonista, desempenho..., correspondendo ao universo de referência da Arte Cinematográfica (ou sétima arte).

No caso da segunda frase, a mesma palavra remete para uma outra entidade associada a astro, astronomia, constelação, céu, sol, planeta..., pertencente ao universo de referência da observação astronómica.

Na terceira frase, a palavra estrela referentia um contexto particular, relativo à atribuição da qualidade na indústria hoteleira, que constitui o seu universo de referência.

TLEBS –

Os interventores numa dada interacção verbal referem objectos da realidade extra-linguística constitutivos do contexto situacional particular ao acto de enunciação. Esses objectos pertencem a um contexto geral onde estabelecem com outras componentes relações específicas. Esse contexto geral em que se insere o conjunto de entidades, processos, qualidades referenciadas num acto enunciativo é designado por universo de referência.

A palavra "tecido" referencia um dado objecto que estabelece, num contexto particular de comunicação, relações de associação com "célula", "lípidos", "mesoblasto", "glândulas", etc., num universo de referência que corresponde à Fisiologia. A mesma palavra referencia um dado objecto que, numa particular situação de enunciação, se encontra associada a objectos designados por "fio", "trama", "teia", "malha", "debuxos", "algodão", "cânhamo", "juta", etc., objectos pertencentes ao universo de referência da produção têxtil.

 De notar que estes objectos de realidade não são identificáveis com uma realidade independente do exercício da linguagem. As línguas naturais têm o poder de construir o universo ao qual os sujeitos se referem. Assim, Liliput é um objecto tão referenciável, inscrito num dado universo de discurso criado na língua, como a Gare do Oriente.

 

 

CONTEXTO SITUACIONAL

O contexto situacional permite ao locutor e interlocutor conhecer e interpretar o sentido do enunciado através de:

1)      determinação do referente dos dêicticos -as expressões dêicticas indicam os referentes no interior da situação, pois situam os objectos, o tempo ou o espaço relativamente aos i nterlocutores;

2)      identificação dos elementos simbólicos -os processos metafóricos, metonímicos e outros são detectados e é possível efectuar uma escolha eficaz entre vários sentidos;

3)      explicitação do tipo de acto ilocutório -a intenção comunicativa condiciona o acto comunicativo;

4)      conteúdo pertinente da informação;

5)      fenómenos de implicitação -a informação está implícita nas palavras do locutor e é detectada e interpretada pelo interlocutor (o que significa "ler nas entrelinhas").

 

CONTEXTO VERBAL

O contexto verbal, constituído por elementos dentro do próprio enunciado, remete para uma série de unidades significativas (palavras, ou elementos fónicos) que estão inseridos na comunicação verbal.

TLBES - Ambiente estritamente linguístico de um elemento (palavra, ou elemento fónico) dentro do enunciado. Qualquer produção discursiva está inserida em e é constitutiva de um continuum de comunicação verbal, conjunto alargado de outros enunciados, e reflecte essa inserção.

 

SABER COMPARTILHADO

A informação transmitida pressupõe que os interlocutores partilhem ou possam vir a partilhar conhecimentos indispensáveis para produzirem e compreenderem, num dado contexto, o significado de um enunciado.

 

O saber compartilhado engloba o «conjunto de saberes, conhecimentos, crenças, valores, sistemas de representação/avaliação do mundo, memória de discursos produzidos que o locutor dá como partilhado pelo interlocutor num acto concreto de interacção discursiva.»

Um cenário de índole cultural, social, religioso, regional, ideológico, profissional, étnico, existente numa dada comunidade linguística actua na interpretação da informação partilhada.

Deste modo, o sentido do enunciado produzido depende simultaneamente de elementos extralinguísticos e de mecanismos linguísticos utilizados na produção do discurso.

TLEBS

Conjunto de saberes, conhecimentos, crenças, valores, sistemas de representação/avaliação do mundo, memória de discursos produzidos que o locutor dá como partilhado pelo alocutário num acto concreto de interacção discursiva. Universo, quadro, cenário de índole cultural, social, religioso, regional, ideológico, profissional, étnico, vigente numa dada comunidade linguística, que satisfaz as expectativas/previsões que o locutor faz sobre a interpretação tecida pelo alocutário. Trata-se de dimensões extralinguísticas que, em concomitância com os mecanismos estritamente linguísticos da produção discursiva, são constitutivas do seu sentido.

 

 

MEIO (ORAL E ESCRITO)

O meio (ou canal) determina a adequação do discurso (oral ou escrito), uma vez que a comunicação escrita é uma comunicação diferida, que pressupõe um distanciamento no tempo e no espaço, entre o locutor e o interlocutor.